O Legado da Copa – A Marca Brasil

Por Marco Amatti

Fui perguntado por uma jornalista se os restaurantes estavam prontos para a Copa do Mundo.

A minha resposta foi que poderíamos ter mais de uma Copa quanto ao numero de pessoas entrando em restaurantes, mas não teríamos  aeroporto para as duas Copas.

Bem, justificando a resposta, para entender as reais dimensões de um evento (de catástrofe natural a assinatura de um contrato) é preciso inicialmente dimensionar quantitativamente e qualitativamente causas e efeitos; investimentos e resultados ou qualquer outra conexão interdependente.

Copa e Jogos Olímpicos trouxeram grande orgulho e ufanismo para o Brasil em um primeiro momento e a organização destes com o prazo de mais de cinco anos parecia distante e realizável.

Após números superestimados nos anos iniciais do projeto, a Copa trás a realidade algo bem diferente do “imaginado”.

Para isto vamos analisar de forma sintética e até certo ponto superficial:

Gastos: 28 Bilhões de reais - R$ 7,5 bilhões serão gastos em estádios; R$ 8,9 bilhões em obras de mobilidade urbana; R$ 8,4 bilhões em aeroportos e R$ 1,9 bilhão em segurança. O restante investido em desenvolvimento turístico, portos e telecomunicações.

(África do Sul – 8 bilhões, Japão 10  e Alemanha 11 bi).

Expectativa de turistas no Brasil: 500.000 em aprox. 30 dias (mais 20.000 Jornalistas: e 15.000 Voluntários), divididos (de forma bastante desigual) em 12 Cidades-sede. O Brasil recebe anualmente algo próximo a 5,6 milhões de turistas. ( aproximadamente 5,5 % do turismo mundial e número próximo da Argentina; o México recebe 23 milhões de turistas/ano e a França 77 milhões).

Mas para efeito de reflexão suporemos uma divisão de turistas de forma equitativa entre as Cidades- sede: 42 mil turistas por cidade.

Numa conta “burra”, um investimento de aproximadamente R$ 55 mil reais “por visitante” nesta Copa.

A expectativa de gastos diários totais (sem ingresso) é de 600 reais e a média de estadia entre 15 e 20 dias (vamos deixar por 20), então cada visitante deixaria R$ 12 mil no País durante sua estadia, ou 504 milhões de reais em gastos por cidade (veja que com esta entrada 6,2 bi; não pagamos o investimento nos estádios – só o de Brasília está custando 1,015 Bilhão de reais).

Desta forma o déficit (hipotético) de  R$ 33 mil por visitante, gerando um montante de 22 bilhões para “fechar a conta”. Se estes valores”negativos” forem traduzidos em melhorias profundas na infraestrutura, pode ser justificável.

Para comparar eventos:

Fórmula 1 em SP (apenas uma sede): 100.000 turistas em 03 dias (gastos médios diários superiores a  900 reais, por volta 100 milhões)

Jornada Mundial da Juventude no RJ e Aparecida: 1,8 bilhões em gastos de aproximadamente 1 milhão de pessoas em quatro dias (a maior movimentação turística do Brasil em todos os tempos)Gastos com a organização: 118 milhões de reais.

Assim sendo:

Nosso ponto de vista é o do Mercado de alimentação fora do lar, o que significa  sabermos quantos clientes “a mais” teremos e o impacto em nosso faturamento.

A Copa do mundo impactará (bem menos que o projetado inicialmente) o movimento de alimentação fora do lar de cidades menores e de estabelecimentos próximos aos locais de maior adensamento de turistas (imediações de estádios, hotéis e pontos turísticos principais).

A grande preocupação em treinamento de equipes é justificável, não pela Copa, mas pela necessidade de capacitação de pessoal em si, no entanto, há mais urgência no aprendizado do Português do que da Língua Inglesa.

Os grandes eventos divulgaram o País e tornaram nossa economia mais aberta e exposta. No Exterior, muita gente ainda falava sobre Buenos Aires como sendo a Capital do Brasil; quando íamos a feiras internacionais, os atendentes dos stands nos olhavam com certo desdém, alimentando a síndrome de terceiro mundo em nossos corações.

A expectativa da expansão de infraestrutura de transportes e serviços era grande e ao que tudo indica, será frustrada. E nossa organização tem sofrido pesadas críticas (com razão, até mesmo pelo acinte no aumento de gastos com os eventos). Não é a toa que as manifestações de junho tenham se apoderado do tema.

Por enquanto o legado da Copa se restringe a divulgação da “Marca” Brasil.

Fontes:

http://www.portal2014.org.br/

http://www.copa2014.gov.br/pt-br

http://www2.unwto.org/

http://imprensa.spturis.com.br/

 

Marco Amatti
Consultor / Proprietário 

MAPA Assessoria – Negócios em Alimentação fora do Lar.

 

 

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